| Os
EUA ocuparão, à força, a Amazônia?
Os norte-americanos transformarão
a Amazônia em novo Vietnã? De qualquer modo,
a superpotência já conquistou corações
e mentes do oxigenado povo tupiniquim
Ray Cunha
A invasão anglo-americana do Iraque nos remete ao caso
da Amazônia brasileira, a maior província mineral
do planeta. Os americanos estão no Iraque, juntamente
com seus irmãos ingleses, por petróleo. Quem
nos garante que não estejam pensando em ocupar agora
a Amazônia? Desculpas são fáceis de arranjar.
Por exemplo: podem alegar que a região virou esconderijo
de terroristas, ou que estão maltratando os índios
- que vivem em reservas do tamanho de países europeus.
Uma pequena editora brasiliense, a Thesaurus, publicou, em
2000, Amazônia - A grande cobiça internacional
(116 páginas, R$ 20), assinado pelo coronel do Exército
Gelio Fregapani. Trata-se de um livro precioso, natimorto
por razões óbvias. As editoras vivem da venda
de livros, pelos quais pagam direitos autorais; por isso suas
publicações são editadas e revisadas
por especialistas, e o lançamento envolve profissionais
e verbas para divulgação. O que não é
o caso da Thesaurus, que funciona, na verdade, como gráfica.
Mas se Amazônia integrasse o catálogo de uma
das grandes editoras do eixo Rio-São Paulo, teria recebido
dezenas de páginas na mídia nacional, incluindo
a mais prestigiosa revistas semanal brasileira, Veja. Contudo
Amazônia transcende tudo isso. O absoluto desinteresse
pelo livro se dá por uma razão simples: no senso
comum de sudestinos, sulistas e do povo do Planalto Central,
a Amazônia é apenas um matagal longínquo,
que jamais interferirá em suas vidas. Ledo engano.
Fregapani faz uma advertência da qual, de resto, todo
mundo já sabe: a Amazônia brasileira é
objeto de cobiça do xerife do mundo, os Estados Unidos.
E daí? Daí que a Amazônia é a maior
província mineral do planeta. É estratégica.
O trópico úmido explorado inteligentemente significa
a redenção econômica do Brasil. Além
dos recursos hidráulicos, o solo amazônico contém
a maior jazida de nióbio do mundo. Esse metal representa
uma revolução na geração de energia
elétrica. A Amazônia é rica em combustível
atômico e guarda jazidas imensas de toda sorte de minerais
com as mais diversas utilizações industriais,
inclusive petróleo, e ouro em quantidade suficiente
para lastrear toda a nossa moeda em circulação.
Segundo Fregapani, ongues internacionais, a serviço
de seus países, e a mídia com o rabo preso vêm
espalhando há décadas mentiras do tipo “a
Amazônia é o pulmão do mundo”; “os
garimpeiros estão destruindo os rios”; e “o
desmatamento está destruindo a floresta amazônica”.
“Enquanto isso, o governo brasileiro, estranhamente,
reserva áreas imensas para pequenas tribos indígenas,
justamente em pontos da região onde se encontram as
maiores jazidas de minerais estratégicos do planeta.”
E se um líder ianomami pedir ajuda às Nações
Unidas, ou melhor, aos Estados Unidos, para a independência
de sua reserva florestal? Geralmente essas reservas são
maiores do que Portugal.
Observa Fregapani que em caso de invasão da Amazônia,
as Nações Unidas, ou melhor, os Estados Unidos
e a Inglaterra - esta, dona de parte do sub-solo brasileiro,
pois é acionista da Vale do Rio Doce - bombardeariam
primeiramente as usinas de energia elétrica brasileiras
e, de um cinturão de bases que os americanos já
instalaram nos países limítrofes em torno da
Amazônia brasileira - ironicamente com a ajuda do Sivam
(Sistema de Vigilância da Amazônia), que tem seu
cérebro instalado em Porto Rico, país associado
dos Estados Unidos -, dariam início à invasão
militar por terra, diante das Forças Armadas brasileiras
em petição de miséria.
Para Fregapani, a história de que na mão dos
brasileiros a Amazônia será destruída
é pura propaganda americana. A propósito, Estados
Unidos, Europa e Japão são os grandes vilões
da poluição do planeta. A selva amazônica,
aquela que só conhecemos por fortografias aéreas,
é tão exuberante, inóspita, úmida
e varrida por ventos que resistirá até a uma
guerra atômica, constituindo-se em um dos poucos lugares
da Terra que manterão condições de vida
humana após uma hecatombe nuclear. Esse é outro
ponto dos interesses americanos, ingleses e franceses na região,
pois paira, sempre, a ameaça, embora remota, de um
confronto atômico mundial.
A intelligentsia brasileira já sabe que o Clube dos
Sete, principalmente os Estados Unidos, já se refere
à Amazônia como sendo dele e aos brasileiros
como assassinos do meio ambiente. Como disse o jornalista
e pensador da causa amazônica, o paraense Lúcio
Flávio Pinto: a culpa dessa situação
é do stablishment dos Estados amazônicos. Os
empresários e os políticos da região
estão sempre muito preocupados consigo mesmos.
Diante desse quadro, Gelio Fregapani vislumbra uma saída
para a verdadeira independência da Amazônia: povoar
a região. Sobretudo na fronteira. Fregapani defende
que se deve abrir a Amazônia para os garimpeiros, que,
além de saberem sobreviver no Inferno Verde, geram
a circulação de dinheiro em curto prazo. Paralelamente
a isso, o Estado brasileiro deve investir pesadamente no Projeto
Calha Norte e nacionalizar, já, o Sivam. No caso de
guerra, o Brasil só contará, efetivamente, com
os militares especializados em selva, e com os garimpeiros.
Numa possível invasão da Amazônia, a primeira
ação das forças brasileiras seria pôr
a pique o Sivam - esse Cavalo de Tróia americano -
e engrossarem as tropas brasileiras com garimpeiros, impondo
um insuportável número de baixas aos invasores,
que teriam de descer ao solo para ocupá-lo. Nossos
oficiais e praças especializados em selva e em toda
sorte de bichos peçonhentos, insetos e vírus
estariam aguardando os invasores com urtiga, pium, carapanã,
flexas envenenadas e chumbo quente. Invasor algum terá
combustível suficiente para queimar toda a selva amazônica
brasileira, transformando a Amazônia no Vietnã
multiplicado por mil, com o fim de desalojar a resistência.
Além disso, outras nações atômicas
interviriam, numa guerra global, da qual a raça humana
dificilmente sobreviveria.
Fregapani, gaúcho, é, provavelmente, o maior
conhecedor e estrategista brasileiro em Amazônia. Fundador
do Centro de Intrução de Guerra na Selva e assessor
de assuntos estratégicos da Universidade Pan-Amazônica,
seu livro faz um seríssimo alerta à sociedade
tupiniquim. Os setores de informação brasileiros
já sabem o que é que a Amazônia tem e
das inteções de americanos e ingleses. Por que,
então, Brasília não se mexe? Pelo contrário,
acabaram com o programa nuclear brasileiro; estão entregando
a base de lançamentos de foguetes de Alcântara,
no Maranhão, aos Estados Unidos; o controle do Sivam
é norte-americano; e o Estado brasileiro já
reservou áreas imensas para tribos indígenas,
que podem, a qualquer momente, pedir aos americanos ajuda
para se tornarem nações independentes do Brasil.
A reserva ianomami, por exemplo, contém riquezas minerais
incalculáveis.
Mas o Brasil é um país esquisito mesmo. Os deputados
federais representam o povo, mas o povo não sabe quem
é que o voto de legenda elege. E os senadores representam
os Estados, ou melhor, seus nichos políticos. Enquanto
isso, Lula e o Congresso Nacional continuam reunidos para
ver se os aposentados devem ou não pagar a Previdência
(que já pagaram), ou se aumentam o salário mínimo
para um teto capaz de proporcionar pelo menos uma cesta básica.
Outro bate-boca é quanto a Fernandinho Beira-Mar. Há
alguma dúvida de que ele deve ficar dentro de um buraco,
sob cem lâmpadas de duzentas velas acesas o tempo todo
e vigiado por um pequeno exército? Lei? Quando quer,
o Congresso Nacional faz até uma maçaroca, como
a Constituição de 1988.
|