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Pode o jornalismo alcançar a prateleira
da obra de arte?
Ray Cunha
Editor de Brasília Literária
Além do verbo - a ferra-menta da qual escritores e
jornalistas lançam mão na construção
de seus edifícios -, ficção e jornalismo
nada têm, aparentemente, em comum. Como água
e óleo, não se misturam. Contudo num pon-to
se amalgamam e se con-fundem, e não mais sabemos o
que é mentira e o que é ver-dade. Os sertões,
de Euclides da Cunha; Kaput, de Curzio Malaparte; A Sangue
Frio, de Truman Capote, são alguns exemplos de reportagens
que se consolidaram como obras literárias.
Mas como ambas as formas de escrita podem ocupar
a mesma prateleira, lado a lado, se ficção é
criação, invenção, mentira, enquan-to
o jornalismo atua como um sopro de luz sobre a verdade?
Móvel, fluida, enganadora, a verdade não pode
ser resgatada. Entrevistando vários oficiais na Guerra
da Criméia (1854), o corres-pondente do The Times de
Lon-dres, William Howard Russel, descobriu que os relatos
de teste-munhas são, freqüentemente, con-traditórios.
Mas a missão do repórter é se aproximar
o mais perto possível da verdade, mesmo se movendo
em terreno pantanoso. E a tarefa do escritor é
dizer a verdade - observou o ficcionista e jornalista
americano Ernest Hemingway.
Então as tarefas realizadas pelo jornalista e pelo
artista são, por conseguinte, semelhantes. Mas enquanto
o repórter, cami-nhando sobre areias perigosas, procura
chegar o mais perto possível da verdade, o escritor
simplesmente inventa a verdade. Enquanto a atividade do jornalista
se corporifica por meio da inves-tigação e da
coleta de provas, a do artista incorpora-se pela criação.
E se o jornalista e o escritor, conforme exige o trabalho
de cada um deles, resgataram como as coisas eram, de tal forma
que o relatório do jornalista, ou a criação
do artista, se mova para sempre, ambos terão alcançado
a prateleira da obra de arte.
O crítico literário americano Carlos Baker identifica
três ins-trumentos estéticos que servem para
o registro de como as coisas eram: o sentido do local,
o sentido do fato e o sentido da cena. E disse Hemingway:
Se não tiver-mos geografia, um cenário
de fundo, nada temos. A fusão, pois, de local
e fato, por meio da ação, gera a cena, móvel
como a própria vida.
O escritor e jornalista italiano Curzio Malaparte, em despacho
da Rússia, em 1942, escreveu para o Corriere Dela Sera:
Sob meus pés, impressa no gelo como em cristal
transparente, estava uma fileira de belos rostos humanos,
uma fileira de máscaras de vidro, como num ícone
bizantino. Estavam olhando para mim, fitando-me. Os lábios
eram estreitos e gastos, o cabelo comprido, os narizes afila-dos,
os olhos grandes e muito claros. Eram as imagens dos soldados
soviéticos que haviam caído na tentativa de
cruzar o lago. Seus pobres corpos, aprisionados durante todo
o inverno pelo gelo, foram arrastados pelas primeiras correntes
da primavera. Mas seus rostos permanecem impressos no límpido
cristal verde-azulado. Observam-me serenamente e até
pareciam tentar acompanhar-me com os olhos.
Fato: Segundo Guerra Mun-dial. Local: lago na Rússia.
Cena: mortos que fitam um viajante. Aqui, o verbo fitar fez
da notícia um registro vívido do fato. Deu-lhe
ação. Vida.
Ao erguer o edifício da repor-tagem de longe fôlego,
o repórter deve considerar alguns pequenos truques,
comuns no arsenal do ficcionista. Estará, assim, desper-tando,
no leitor, interesse perma-nente, o mesmo interesse que somente
a ficção de primeira categoria pode proporcionar
- como em Os Sertões.
Assim como o escritor, o jornalista classe A deve evitar a
falá-cia patética, que se trata de excesso de
emoção. O excesso de emoção dificulta
a descrição da realidade, ao passo que, ao controlar
a emo-ção, o repórter verá o que
realmente está acontecendo e descrever isso. Ora, sendo
a falácia patética um erro de percepção,
será, também, um erro de expressão, já
que o que foi visto erradamente não pode ser descrito
veridicamente - observa Carlos Baker. O domínio
da emoção resulta, segundo Baker, em vermos
aquilo que vemos, em vez daquilo que pensamos ver; aquilo
que sentimos, em vez daquilo que somos supostos a sentir;
e em dizer diretamente o que vemos realmen-te, em vez de apresentarmos
uma versão falsa do que vemos.
A falácia apática é outro inimigo da
verdade, porque a razão é tão fria
e tensa que a emoção é inteiramente esmagada
- diz Baker. Enquanto a falácia patética deturpa
a realidade, a falácia apática a imobiliza,
e a intensidade, que é vida, dá lugar à
tensão, que é morte.
Baker enumera ainda a falácia cinematográfica:
O mesmo que apontar um espelho e um microfone para a
vida e registrar, com precisão absoluta, embora seletiva,
todos os reflexos e sons. O fato jornalís-tico
registrado por meio de um espelho e um microfone é
limitar a realidade a movimento, diferente-mente do efeito
produzido pelo sentido da cena, que é ação
e, portanto, vida.
Ernest Hemingway desenvol-veu um princípio estético
a que chamou de disciplina da percep-ção
dupla, que é a descrição do fato
e da reação emocional sobre quem o vê.
O jornalista americano Januarius Aloysius Mac-Gahan foi o
pivô da guerra russo-turca (que teve início em
29 de abril de 1877) e pela independência da Bulgária.
A gota dágua foi o que ele escreveu, que se constitui
num exemplo de dupla percepção. O horror descrito
pelo repórter foi perpetrado pelos curdos e bashibazouks
turcos para esmagar a revolta búlgara de 1876. Mais
de doze mil homens, mulheres e crianças tinham sido
mortos.
Acho que cheguei com uma disposição de
espírito justa e imparcial e, certamente, deixei de
lado a frieza. Há coisas demasiado horríveis
para permitir algo asse-melhado a uma investigação
tran-qüila; coisas cuja vileza o olho se nega a examinar
e a mente se recusa a considerar. Deparamos com um objeto
que nos encheu de piedade e horror. Era o esqueleto de uma
mocinha que não tinha mais de quinze anos. Ainda estava
vestida numa camisa de mulher, mas os pezinhos, dos quais
os sapatos tinham sido retirados, estavam nus e, devido ao
fato de a carne secar, em vez de se decompor, encontra-vam-se
quase perfeitos. O procedimento parece ter sido o seguinte:
eles agarravam uma mulher, despiam-na cuidadosa-mente, deixando-a
de camisa e pondo à parte quaisquer enfeites ou jóias
que por acaso tivesse sobre si. Então, tantos quantos
assim o desejassem, violentavam-na, e o último homem
a matava ou não, segundo a disposição
com a qual se encontrasse.
Fomos informados de que havia três mil pessoas
jazendo neste cemitério apenas. Era uma visão
horrenda - uma visão para apavorar a pessoa pelo resto
da vida. Havia cabecinhas cheias de cachos ali, naquela massa
apodre-cida, esmagadas por pedras pesadas; pequenos pés
que não chegavam ao comprimento de um dedo, nos quais
a carne ressecara-se; mãozinhas de bebês projeta-vam-se
para fora, como se pedissem ajuda - criancinhas que morreram
espantadas com o reluzir dos sabres e as mãos vermelhas
dos homens de olhos ferozes a manejá-los; filhos mortos
encolhidos de susto e terror; mães que morreram tentando
proteger seus rebentos, com seus próprios corpos fracos,
todos jazendo juntos ali, apodrecendo numa única massa
horrenda.
Agora, um truque fundamen-tal: ao pintar-se o painel da reporta-gem
de longo fôlego, o ato de sele-ção verbal
é de vital importância - o que quer dizer eliminar
todas as palavras falsas. Somente através de
um cuidado constante, nunca desencorajado, na formação
e ritmo das frases, é que a luz da sugestividade mágica
pode ser elevada a atuar por um instante evanescente sobre
a superfície do lugar das palavras: das velhas, velhas
palavras, já desgastadas, tornadas muito tênues
por eras de uso descuidado - disse Joseph Conrad, o
autor de No Coração das Trevas.
A posição da palavra no contexto e na frase,
o ritmo que ela imprime, tudo isso deve ser considerado. Em
Os Sertões, os mandacarus assumem vida humana, despidos
e tristes, como expectros de árvores, e o ritmo
pode ser localizado em frases como Longos dias amargos
dos vaqueiros - um decassílabo com cesura na
sexta sílaba. Versos como esses são incontáveis
em Os Sertões, abrindo a porta do texto jornalístico
para a poesia.
Ao resgatar o fato jornalístico na reportagem de longo
fôlego, mantendo os personagens vivos, como fez Norman
Mailer, em A Luta, o repórter terá alcançado
o ponto culminante da estética jornalística
e, o escritor, o ponto culminante da estética artística:
a verdade.
Pode dar o cano quem
quiser porque não vou mais correr atrás de ninguém
Ray Cunha
Editor de Brasília Literária
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Ray Cunha visto pelo escritor,
pintor e caricaturista Áureo Mello |
Não havia sido um dia de sono restaurador
para Amarildo Teixeira. A periodontite o torturava, de modo
que passou o dia em claro. Foi trabalhar azedo. Era garçom
no Chorão da Asa Norte.
Lá pelas seis horas da tarde apareceu uma cliente,
uma senhora elegante, trajada com sapatos altos de couro preto,
meias e vestido também pretos. Bonita, de belos cabelos
negros, quase longos, parecia estar de luto. Pediu o cardápio
e passado um momento perguntou se a caldeirada de frutos do
mar dava para duas pessoas.
- Dá para quatro, senhora - informou o garçom
Amarildo.
- Traga, então.
- E para beber?
- Nada. Fico sempre muito cheia quando bebo alguma coisa durante
o jantar.
Naquela hora não havia quase ninguém no Chorão.
Estava tudo silencioso e agradável. Tudo bem arrumadinho,
à espera da turba que não demoraria a chegar
pela noite afora. Depois que o garçom Amarildo serviu
a caldeirada de frutos do mar, pôs-se a observar a mulher.
Estava desconfiado de alguma coisa. Não sabia bem de
quê. Levara para a mesa dois talheres, mas ela disse
que bastava um, e pediu bastante pão francês.
Amarildo serviu-lhe quatro pães. Um, ela comeu num
relâmpago. O impressionante é que a caldeirada
dava mesmo para quatro pessoas normais e ainda sobrava. Era
uma terrina enorme, cheia de um caldo cheiroso e saboroso,
com grandes pedaços de peixe, moluscos e toda sorte
de crustáceos. Amarildo Teixeira não acreditou
no que viu quando ela o chamou para pedir a sobremesa. A terrina
estava seca, o arroz e o pirão foram devorados e os
pães sumiram.
- Queijo com goiabada! - ela disse.
O garçom Amarildo ficou confuso. Foi buscar a sobremesa.
Quando voltou, que é da freguesa? Ainda pôde
ver seu vulto na esquina, iluminado pela luz dos carros. Não
pensou duas vezes. Saiu no seu encalço. Ao alcançar
a esquina, a mulher estava à sua espera e atirou-lhe
uma pedra na cabeça. O garçom escorregou e caiu.
Levantou-se. Ela desaparecera. Amarildo Teixeira voltou para
o restaurante. A pedra fez-lhe um galo. Ainda bem que
não foi na testa - pensou, apalpando o calombo
no lado da cabeça. Não vou nem contar
essa. Ninguém vai acreditar. É melhor não
contar. O pior é que eu vou ter de pagar a conta daquele
animal que acabou de me dar o cano e ainda por cima quase
quebra minha cabeça. Como é que pode?
De volta ao Chorão, Amarildo Teixeira foi ao banheiro.
Muita gente havia chegado e o gerente estivera atrás
do garçom. Quando Amarildo saiu do banheiro havia um
sujeito numa das mesas de sua responsabilidade. Um sujeito
grandalhão, uma verdadeira baleia, olhando atentamente
o cardápio. Aproximou-se cautelosamente.
- Escute aqui, meu jovem, esta caldeirada de frutos do mar
dá para duas pessoas? - perguntou a baleia.
- Dá para quatro - disse Amarildo Teixeira.
- Quero uma. Traga logo uns pãezinhos até chegar
a caldeirada.
Não é possível que esse cara saia
correndo também. Não acredito! Até porque
não agüentaria correr com esse corpanzil
- pensou o garçom Amarildo, levando três pães
franceses para o fraguês.
- Putz, ô meu, só isto? Traga uns dez - pediu-lhe
o homem, passando manteiga num deles e comendo-o em duas bocadas.
Nossa! - pensou Amarildo Teixeira. Quando veio
a terrina de caldeirada, ficou olhando para o homem. É
um animal de bruta raça - pensou.
Com efeito, o freguês era bom de boca. Em pouco tempo
não restava na mesa mais nada que pudesse ser comido.
- Ô, meu, queijo com goiabada! - disse o homenzarrão.
O garçom Amarildo foi buscar o que o sujeito pedira.
Entregou a sobremesa ao tipo, que devorou-a em segundos e
pediu outra. Após comer quatro porções
de queijo com goiabada, o gajo não deu tempo para nada.
Ergueu-se subitamente da mesa e partiu para a porta, ganhou
a rua e correu em direção à Avenida W3
Norte, com Amarildo Teixeira atrás. Mas o freguês
tinha fôlego de peso pesado. Alcançou facilmente
o calçadão da W3 Norte, onde estacou abruptamente.
Amarildo aproximou-se dele e recebeu um cascudo na cabeça
que o fez cambalear e cair. Levantou-se e retrocedeu. O brutamontes
partiu para cima dele. Alcançou-o e lhe deu uma rasteira,
fazendo o garçom se acabar na calçada. Levantou-se
às pressas e correu o quanto pôde para o Chorão.
Quando se sentiu em segurança olhou para trás
e viu a baleia atravessando lentamente a W3 Norte. Olhou para
si e viu que ficara bastante estragado.
- Aquele desgraçado quebrou a minha cabeça só
com um cascudo. Acho que tinha um pedaço de ferro na
mão. Como é que pode um cara gordo como ele
ter tanta força? Vou ter de pagar duas caldeiradas
de frutos do mar e mais quatro sobremesas - lamentou-se Amarildo
Teixeira, falando entredentes. - A melhor coisa que eu faço
é tomar um táxi e ir embora para casa.
Mas o garçom Amarildo não pôde ir embora,
pois faltaram três colegas seus e na sua ala havia dois
esgalamidos querendo caldeirada de frutos do mar.
Droga, droga, droga - disse de si para si, e foi
buscar a primeira terrina, decidido a não correr mais
atrás de ninguém, nem que tivesse de pagar a
conta com a poupança na Caixa Econômica Federal.
A ÚLTIMA CRÔNICA DE ROBERTO DRUMMOND
Seja o que Deus quiser
Escrevo esta crônica doze horas
antes do jogo Brasil x Inglaterra. Vocês sabem: sou
fascinado com bolas de cristal, videntes, tudo que pode prever
o dia de amanhã, o futuro e seus mistérios,
o que está por acontecer. Mais do que nunca, gostaria
de ter uma bola de cristal ou os poderes de vidente de minha
amiga madame Janete, só para saber quem venceu, se
a Seleção de Ronaldinho, se a seleção
de Beckham.
Poucas vezes desejei que o Brasil vencesse como agora. É
verdade, a gente sempre quer que o Brasil vença. É
uma vontade, um sonho, que está no coração
de mais de 170 milhões de brasileiros. E não
é para menos. Nosso país tem uma porção
de esperanças, mas a vitória no futebol alegra
o coração brasileiro, faz subir a nossa auto-estima,
tão castigada, tão arranhada. E nos permite
uma festa de irmãos e de irmã, já que
a Seleção Brasileira nos une acima das ideologias,
dos partidos políticos e, num ano eleitoral como este
de 2002, acima dos candidatos
a presidente da República.
Nenhum estadista brasileiro, nem mesmo os dois maiores, Getúlio
Vargas e Juscelino Kubitschek de Oliveira, deram à
nossa alma carente as alegrias que Pelé e Garrincha,
Didi e Nilton Santos, Tostão, Gérson, Rivelino
e Jairzinho e ainda Taffarel, Romário e Bebeto nos
deram. Em outros tempos, as esquerdas brasileiras diziam que
o futebol era o ópio do povo.
Essa opinião foi particularmente forte nos idos de
1970, quando a Seleção Brasileira ganhou o tri
no México. O Brasil vivia os anos de chumbo. Era a
noite da ditadura militar, iniciada com o golpe militar de
1964. O general Médici era o presidente da República
e soube usar a conquista da Seleção Brasileira
para dizer que o Brasil dava certo. Até parecia que
os gols de Pelé, de Tostão, de Gérson
e de Jairzinho, sem esquecer Rivelino, Carlos Alberto e Clodoaldo,
tinham sido feitos pelos militares. Nessa época, as
esquerdas, que sofriam violentamente com a ditadura e perderam
muitos de seus quadros torturados, assassinados, banidos,
acreditavam que a conquista do tri prestou um benefício
enorme aos generais. Hoje, passado tanto tempo, eu pergunto:
será que foi assim mesmo? Lembro-me de minha própria
divisão no dia em que o Brasil ganhou o tri. Eu já
era cronista de futebol no Estado de Minas, na época
da rua Goiás. Metade de mim cantava e festejava, metade
de mim chorava, porque eu também acreditava que o feito
da Seleção Brasileira ia ajudar a ditadura militar.
Ajudou ou não?
Ajudou, pois era o tempo do chamado milagres brasileiro e
a euforia das ruas contava ponto a favor do clima de ufanismo
que a ditadura militar queria criar. Muita gente diz que o
penta vai ajudar o governo FHC e, portanto, a seu candidato
a presidente da República, José Serra, e atrapalhar
a candidatura de Lula, o líder nas pesquisas. Eu penso
que não. Hoje vivemos numa democracia e o povo brasileiro
vai toar, não por causa do penta, mas segundo uma avaliação
consciente.
Acabei me desviando do que estava escrevendo. Eu dizia que
poucas vezes eu quis com tanto fervor que a Seleção
Brasileira derrotasse um adversário, no caso, a Inglaterra.
E olhem que a Inglaterra, que para mim é a pátria
de Shakespeare e de Dickens, dos Beatles e dos Rolling Stones,
sem esquecer que é o berço do Partido Trabalhista,
é um país de minha simpatia. Os ingleses inventaram
o futebol e esse detalhe também conta ponto a favor.
E os ingleses (como narro em meu livro O Cheiro de Deus) moraram
em Belo Horizonte e exerceram uma grande influência
em nossos costumes, como o culto aos fantasmas e deixaram
uma palavra na maneira mineira de falar, o nosso uai, o porquê
deles.
Mas futebol é futebol e eu estou, como cronista, particularmente
engajado com a Selação Brasileira, principalmente
por causa de Ronal-dinho, em cuja recuperação
apostei. Contam os outros jogadores também, incluindo,
claro, Gilberto Silva e Edilson. E eu sou brasileiro. Ainda:
Inglaterra é um adversário forte demais e vencer
(ter vencido) o time de Beckham é carimbar o passaporte
para o penta.
O escritor Roberto Drummond faleceu na madrugada em que o
Brasil e a Inglaterra se enfrentaram. Não teve tempo
de comemorar a vitória brasileira.
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