Após seis edições de Brasília
Literária, desde maio de 2002 - quando foi lançado
o número zero - até novembro do mesmo ano, foi
imperioso que fizéssemos uma pausa, retornando um ano
após a inauguração do periódico,
em maio de 2003. Desde agosto do ano passado, com a quarta edição
na rua, tentamos anúncios do Governo do Distrito Federal,
bem como da Câmara Legislativa, mas não obtivemos
êxito. É compreensível, pois tanto o governador
Joaquim Roriz quanto o então presidente da Câmara
Legislativa, deputado Gim Argello, estavam concentrados nas
eleições de novembro de 2002, e Brasília
Literária não alcança as massas, constituindo-se
em jornal de pequena tiragem (dois mil exemplares por edição)
e circulando no mundo restrito dos livros. Mundo ao qual a maioria
dos brasileiros, por uma ou outra razão, não tem
acesso.
Agora, porém, o momento é outro. Ao menos o mandato
é outro. E é, pelo que tudo indica, o último
da dinastia Roriz. Quatro vezes governador do DF, Roriz nunca
foi de mimar a esfera erudita da cidade-estado. É capaz
de pagar quatro vezes mais por uma ponte (que de R$ 60 milhões
pulou para cerca de um quarto de bilhão de reais) do
que bancar um acontecimento da envergadura da Feira do Livro
de Brasília. Ano passado, por exemplo, a Feira custou
cerca de R$ 500 mil e não obteve, do GDF, sequer 10%
do que precisava. Diga-se que o evento, anual, é importantíssimo,
tanto do ponto de vista cultural e educacional, como turístico
também. O mandato que ora engatinha é, portanto,
o momento derradeiro que se oferece a Roriz para redimir-se
do desprezo que, por tanto tempo, manifestou para com a educação
e a cultura na Capital da República.
Quanto aos livreiros e editores, aqueles que estão montados
no capital multinacional vão bem, obrigado. Mas os pequenos
livreiros - por não ter o Brasil legislação
específica para o livro - vão de mal a pior, pois
não podem concorrer com os descontos das grandes redes
e acabam fechando as portas. O caso de Brasília é
ainda mais grave: o PT não dará refresco a Roriz,
seu arquiinimigo. As conseqüências disso já
começam a ser sentidas. Faltam professores na rede pública
e as bibliotecas das escolas, principalmente as das cidades-satélites,
fedem a bolor. As ruas e estradas estão esburacadas e
a Saúde continua vivendo sua sem-vergonice de cada dia.
Pior: não corre dinheiro na praça. É uma
paradeira geral. Além do mais, a história de que
o brasiliense é um dos maiores compradores de livros
do país é contada por um viés distorcido.
O Lago Sul, bairro dos bem-nascidos, tinha, até 2002,
duas livrarias dignas desse nome. Agora, só tem uma,
a Nobel, no Centro Comercial Gilberto Salomão.